Entre as sensações que envolvem o trabalho, está a ansiedade com seus malefícios… Ou seriam benefícios?
Vivemos em uma época em que a preocupação excessiva com a esfera profissional, associada à falta de tempo para o descanso e para cuidados pessoais, não raro, é encarada como algo natural, algo inevitável. A carga elevada de trabalho e o excesso de exigências profissionais podem gerar ansiedade, com potencial de prejudicar o desempenho e, em casos extremos, interferir negativamente na continuidade da carreira. Surge então o questionamento sobre os malefícios da ansiedade.
O depoimento do hoje professor Tom Chi sobre o estresse que o levou à beira da morte em uma época de forte crescimento da sua carreira de executivo impressiona por apontar a confusão da ansiedade com um bom desempenho, por exemplo, quando o professor descreve a sensação de medo em certas situações de trabalho: “ah, preciso fazer uma apresentação importante, então preciso ficar nervoso”.
Em contradição à necessidade de constante ansiedade como impulsionadora da carreira, um estudo com profissionais canadenses a identificou como geradora de exaustão emocional, que piora a performance, expandindo seus efeitos negativos ao desempenho organizacional.
Mas, se a ansiedade tem tantos efeitos nocivos, porque as empresas se preocupariam em adaptar suas práticas de recursos humanos às demandas de jovens profissionais mais ansiosos?
A matéria do Valor, com título “Velozes e Ansiosos”, mostra como as empresas vêm diminuindo o tempo de seus processos seletivos e de programas de desenvolvimento para atrair jovens candidatos a futuros executivos. A ansiedade, nesse caso, parece ser um atributo desejável, justamente em uma época da vida em que é preciso aprender a controla-la e a lidar com seus efeitos negativos, que podem prejudicar o futuro da carreira.
Disponível em: Blog do Prof. Dr. Leonardo Trevisan
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